Consumo nas classes D e E: entenda o perfil deste público

Quando uma empresa decide segmentar seu público-alvo por faixa de renda, é comum que escolha entre as que são consideradas como A, B ou C. Entretanto, o consumo nas classes D e E também possui relevância na circulação de bens e produtos.

Por se situarem entre as populações com menor poder aquisitivo, a visão de que não possuiriam um potencial consumidor muito representativo se torna uma barreira não apenas para o desenvolvimento local, mas também para oportunidades de negócio.

Isso porque, ainda que para determinadas linhas ou serviços, este público talvez não tenha necessariamente a maior aderência, a compra de produtos continua sendo parte das mais amplas dimensões do cotidiano, gerando demandas às quais nem sempre é dada a devida atenção.

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Por isso, não observar comportamentos que vão além das classes A, B e C faz com que redes varejistas percam opções interessantes de expansão.

Da mesma forma, as indústrias também deixam de ganhar com esse tipo de atitude. Ao não considerarem pontos de venda em localidades com menores rendimentos, fecham os olhos para parceiros que poderiam ser valiosos, por exemplo, no aumento de sua capilaridade.

Entretanto, com inteligência geográfica, não é apenas possível, mas bastante simples compreender essas características sociodemográficas e descobrir as mais diversas possibilidades de estratégias.

O impacto dos essenciais no consumo das classes D e E

Para esta análise, pegamos para estudo apenas o município do Rio de Janeiro, para identificar de que modo ocorre o consumo nas classes D e E e quais categorias de produtos são as mais demandadas.

Utilizamos, para isso, o OnMaps, ferramenta desenvolvida por nós da Geofusion, que conta com dados de centenas de fontes confiáveis, tanto públicas quanto privadas, e que permite os mais variados cruzamentos.

No software, são disponibilizadas informações de mercado, territorialidade e sociodemografia, podendo ser obtidas em formato de mapas digitais, relatórios e até mesmo em planilhas.

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A princípio, decidimos extrair as informações a respeito do potencial de consumo nas classes D e E para todas as categorias de produtos disponíveis.

Somando as intenções de gastos de toda essa população para cada uma delas, foi possível identificar aquelas com propensão a receberem atenção desse público.

Identificamos que, de modo geral, o público com essa faixa de renda na capital fluminense costuma ter os maiores custos com produtos voltados para Habitação. Isto é, aluguel e condomínio, energia elétrica, gás doméstico, pacotes de telefone e celular, entre outros.

A soma desses itens em todas as microáreas cariocas, considerando apenas as faixas de renda mais baixas, ultrapassa os R$ 3 bi.

A segunda categoria que mais se destaca é a de Alimentação no Domicílio. Ou seja, produtos usualmente comprados para serem consumidos em casa, como carnes, ovos, legumes, laticínios, massas, entre outros.

No Rio de Janeiro, a soma do potencial de consumo nas classes D e E para esses produtos chega a R$ 1,3 bi.

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Mais uma categoria que chama atenção é, também, a que fica classificada como “Outras despesas”. Ela se refere a pequenos gastos do dia a dia, mas que, no final do mês, apresentam grande impacto.

É o caso de serviços bancários, impostos, taxas, pensões, prestações de imóveis, além daqueles relacionados a estabelecimentos de cuidados pessoais, como cabeleireiros, pedicures, barbearias, etc.

Apenas com essas informações, nota-se que, nesses três principais itens de consumo nas classes D e E, há um foco bastante grande em necessidades domésticas.

Isso indica aspectos tanto da dinâmica da população local quanto dos lugares onde elas moram. Afinal, em outros perfis de público, aparecem em evidência categorias de produtos diferentes conforme a filtragem de interesse.

Regiões turísticas, por exemplo, independentemente da faixa de renda, costumam ter como destaque as categorias que correspondem a serviços como bares e restaurantes, justamente pela abundância desses estabelecimentos no entorno das moradias.

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Mapeamento de consumidores por faixa de renda

Por falar no entorno dos domicílios, até agora apresentamos apenas dados. Entretanto, não chegamos a uma das coisas que o OnMaps faz de melhor: ou seja, mapear as informações sobre o público-alvo.

A ferramenta possibilita cruzamentos bastante flexíveis e, neste caso, optamos por identificar onde existe maior concentração de domicílios com a renda média de interesse. Veja:

Microáreas no Rio de Janeiro por Faixa de Renda x Domicílios

Os tons mais escuros indicam onde há maior predominância de domicílios cuja renda média domiciliar esteja dentro dos critérios de classe D e E.

Santa Cruz Centro, Guadalupe e Inhaúma são os territórios que se destacam, possuindo mais de 11 mil domicílios entre essa faixa.

Não por acaso, eles também ficam notavelmente distantes da área central carioca e, também, das praias principais.

Apenas a partir dessa informação, inúmeras outras análises são possíveis. Para o varejo, por exemplo, é uma oportunidade de entender:

  • potencial de consumo para a categoria de produto específica da loja;
  • densidade demográfica do território em questão;
  • pertinência de um atendimento por delivery e omnichannel.

Já para a indústria, é o caso de avaliar:

  • pontos de venda locais que vendem o tipo de produto da fábrica;
  • potenciais distribuidores para aumentar a capilaridade;
  • eventuais centros de distribuição próximos e área de influência deles.

Oportunidades e competitividade local

Além de identificar os aspectos correspondentes às características sociodemográficas e possibilidades de atuação para esses territórios, o OnMaps também permite ter uma visão estratégica da concorrência local.

Veja o mapa abaixo:

Microáreas Polos Bancos e Supermercados Rio de Janeiro classes D-E

O que são esses símbolos e por que eles parecem se atrair para lugares diferentes? Pensando na propensão de consumo nas classes D e E por alimentação no domicílio e serviços bancários, mapeamos onde estão os maiores players desses segmentos.

Nos triângulos vermelhos, representamos as grandes redes de hiper e supermercados; nos círculos amarelos, as agências bancárias.

Percebe-se que, além de ocorrerem diferentes concentrações conforme o tipo de serviço prestado, também as microáreas que observamos ao longo desta análise não são uniformemente atendidas.

Santa Cruz Centro, por exemplo, parece possuir mais atenção dos bancos do que Guadalupe. E para ambas, a maior parte dos supermercados próximos ficam em outras microáreas.

Convém compreender que uma microárea se trata de um território cujos limites são desenhados considerando as barreiras geográficas dos lugares, como rios e rodovias.

Isso porque são aspectos que tornam um pouco mais complicada a passagem das pessoas de uma região à outra, por vezes levando à adoção de determinados hábitos e comportamentos.

Em outras palavras, os moradores estudados neste caso precisam ultrapassar algum tipo de “obstáculo” para que consigam seus produtos nos maiores estabelecimentos que ofertam os produtos desejados.

A pouca presença de grandes redes pode ser, inclusive, um indicativo de que a população costuma se abastecer com estabelecimentos pequenos locais.

Isso também é facilmente identificável pelo OnMaps usando os dados exclusivos de MarketSearch.

Gostou deste estudo e quer saber sobre como inteligência geográfica pode te ajudar a mapear oportunidades e realizar o extraordinário em seu mercado? Temos vários conteúdos e estudos profundos sobre isso. Você pode começar com este aqui abaixo:

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Por Victor Melo / Redator Web
Categoria Varejo Indústria

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