Indústria 4.0 no Brasil: conheça a situação atual e perspectivas de futuro

As práticas e rotinas industriais mudam a um ritmo sem precedentes. A manufatura avançada, apesar de ser um conceito distante para muitas pessoas, modifica a qualidade dos produtos, o modo de produção e até as relações de trabalho. A Indústria 4.0 no Brasil, por outro lado, é adotada a passos mais lentos.

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Neste artigo, você vai entender o que é Indústria 4.0, quais as perspectivas de crescimento dessa tendência, como o padrão global se encontra atualmente e quais as oportunidades que podem ajudar sua empresa a ganhar competitividade no mercado.

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O que é Indústria 4.0?

O desenvolvimento das tecnologias digitais propiciou a criação de novos métodos de produção nas indústrias globais baseados na automação do trabalho, robótica, inteligência artificial, internet das coisas e inteligência de dados, dentre outras inovações.

A utilização dessas tecnologias no contexto industrial, coordenadas de modo a conferir competitividade ao negócio, otimizar a eficiência da cadeia produtiva, adicionar valor ao produto, racionalizar o uso dos recursos e customizar as soluções tecnológicas é chamada de Indústria 4.0 — também conhecida como manufatura avançada ou Quarta Revolução Industrial.

O conceito é associado às revoluções industriais que introduziram inovações como a produção de alimentos em larga escala e as máquinas a vapor nos séculos passados. A diferença é o ritmo de adoção: antes, eram necessárias décadas ou séculos até que uma tecnologia se tornasse padrão nas indústrias. Hoje, em poucos anos, uma tendência vira regra.

As principais tecnologias que integram a Indústria 4,0 são:

  • Internet das Coisas;

  • Impressão 3D;

  • Manufatura híbrida;

  • Sistemas de simulação;

  • Computação em nuvem;

  • Sensores e atuadores;

  • Big data;

  • Sistemas de conexão entre máquinas;

  • Infraestrutura de comunicação;

  • Inteligência artificial;

  • Robótica avançada.

As indústrias que não se adaptam às novas tecnologias correm o risco de se tornarem obsoletas e perderem terreno para a concorrência. Entenda a seguir o panorama global da Indústria 4.0.

Qual o contexto da Indústria 4.0 no mundo?

De acordo com um estudo da escola de negócios IMD junto a empresas de supply chain na Europa, os cinco principais fatores críticos para o bom desempenho dos negócios até 2020 são elementos tradicionais, como estratégia e integração, vendas e operações, agilidade, eficiência e gestão.

A partir de 2020, no entanto, as perspectivas mudam. Inteligência de dados, digitalização da cooperação entre fornecedores e parceiros, Internet das Coisas e Inteligência Artificial passam a ser as prioridades das empresas do segmento.

Apesar da reconhecida relevância das inovações acima para o sucesso dos negócios, o estudo aponta que a implementação da Indústria 4.0 encontra dificuldades. Em países como Coreia do Sul, EUA, Israel e Alemanha, habituados a tecnologias de ponta, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) estima em 15% o total de empresas que adotam a manufatura avançada.

Quais os principais desafios da Indústria 4.0 no Brasil?

De acordo com a associação, o total de empresas no Brasil que adota as tecnologias da Indústria 4.0 é de apenas 2%. Para que as empresas do país cheguem ao patamar competitivo dos negócios de outros mercados, é necessário pelo menos uma década de esforço contínuo.

Apesar de o cenário não ressaltar nenhuma vantagem para as companhias nacionais, a expectativa é que o ano de 2018 marque o início da arrancada. Com o arrefecimento dos efeitos da crise econômica e a expectativa de retomada dos investimentos, a Indústria 4.0 está na agenda das organizações.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) espera uma expansão de 3% do PIB industrial em 2018 e de 4% da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador da capacidade de investimento das empresas.

Segundo um estudo recente publicado pela Confederação, há sete dimensões prioritárias para a adoção da Indústria 4.0 no Brasil.

  1. Aplicações nas cadeias produtivas e desenvolvimento de fornecedores;

  2. Mecanismos para adoção das tecnologias da Indústria 4.0;

  3. Desenvolvimento tecnológico;

  4. Recursos humanos;

  5. Infraestrutura;

  6. Regulação;

  7. Articulação institucional.

Essas dimensões incluem tanto fatores internos quanto externos. Para a Confederação, favorável a uma ampla agenda de reformas públicas, ainda há desafios quanto ao ambiente de negócios no Brasil. Mas as empresas não pretendem esperar para buscar a inserção no contexto global da Indústria 4.0.

Como implementar as tecnologias da Indústria 4.0?

A adoção das inovações, embora essencial para se diferenciar no mercado e, no futuro, manter a competitividade, não é apenas uma questão de força de vontade. Além do investimento, é necessário haver mudanças severas no modo de produção e na cultura da empresa.

O professor e pesquisador do IMD, Ralf Seifert, propõe uma abordagem a partir de três passos, focados na seleção, justificativa e alavancagem das tecnologias digitais nas empresas.

1. Encontre o ajuste certo

A grande quantidade de tecnologias disponíveis para adoção é tão problemática quanto a falta delas. A escolha deve levar em conta fatores internos e externos que ditam as forças competitivas das empresas.

Por exemplo, o Big Data (inteligência de dados) pode ser utilizado para prever e entender o comportamento dos consumidores; a colaboração em nuvem pode eliminar gargalos no trabalho entre fornecedores e clientes B2B; a impressão 3D tem uma ampla variedade de usos, como a criação de modelos físicos e até de próteses para humanos.

Assim que você conseguir identificar como a tecnologia pode melhorar e transformar os processos dentro e fora da sua empresa, é hora de dar o segundo passo.

2. Crie um projeto-piloto

Qualquer adoção tecnológica não é isenta de riscos. Portanto, é necessária uma justificativa econômica que vá além do tradicional retorno sobre investimentos (ROI).

Empresas que implementam as tecnologias da Indústria 4.0 antes das outras correm um risco maior, mas podem se tornar líderes de mercado e estabelecer um padrão de inovação para os demais negócios no futuro. Trata-se de um investimento estratégico que pode redefinir o futuro da companhia e seu posicionamento.

Quando as tecnologias são implementadas por demandas internas — melhoria de processos, desenvolvimento de novos produtos ou satisfação dos clientes — o trauma é menor. Quando se dá por uma imposição externa do mercado, a complexidade aumenta junto com os riscos.

O elemento essencial que deve ser considerado nessa etapa como argumento econômico é o ganho em escala. Para medir esse ganho, as empresas podem fazer projetos-piloto em ambientes controlados e, à medida em que a solução demonstra eficiência, expandir para toda a empresa.

3. Supere as barreiras de implementação

eficiência pode ser um argumento forte, mas pode não ser suficiente para derrubar as resistências das pessoas dentro da organização. Falta de engajamento dos funcionários, ceticismo e medo podem colocar o projeto a perder.

Outros elementos importantes são a escassez de mão de obra capacitada a trabalhar com soluções da Indústria 4.0 e a preocupação com questões de cibersegurança. Já houve ataques virtuais sérios contra indústrias e essa não é uma possibilidade a ser descartada.

Para superar essas barreiras, os dois passos anteriores precisam ser consistentes. O processo de adoção pode ser lento e passivo, mas se for constante, tende a ser bem-sucedido.

A Indústria 4.0 no Brasil é incipiente, mas a influência da globalização e a mitigação dos efeitos da crise econômica devem estimular a adoção por líderes de mercado. Numa segunda etapa, outras empresas incluirão as tecnologias digitais na rotina de trabalho. O processo pode parecer lento, mas 10 ou 20 anos, em uma escala histórica, é um tempo muito curto.

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Por João Pedro Ribeiro do Val / Diretor Comercial

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