[Entrevista] GOD&E: Um novo tipo de consumidor tem revolucionado varejo e indústria

Em um mercado cada vez mais competitivo, indústria e varejo buscam identificar e se adaptar diariamente às necessidades do cliente final. Para isso, é fundamental que entendam as particularidades de cada grupo de consumidores e se mantenham atualizadas sobre a evolução em seus comportamentos.

Foi da necessidade de monitorar e entender a fundo essas características que o Grupo GS& Gouvêa de Souza elaborou o conceito para um novo tipo de consumidor, o GOD&E.

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Marcos Gouvêa de Souza, diretor-geral do Grupo GS& Gouvêa de Souza

O acróstico apresenta um comportamento de consumo empoderado, sustentável e totalmente imerso no universo tecnológico. 

Para entender os detalhes desse novo conceito, convidamos o porta-voz do grupo, Marcos Gouvêa de Souza, para explicar como surgiu e o que as grandes empresas têm feito para se adaptar ao consumidor GOD&E. Confira:

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O que é o conceito de consumidores GOD&E e como ele surgiu, quem foi o criador?

Trata-se de um novo comportamento de consumo que, como o próprio acróstico sugere - Global, Omni, Digital e Empoderado (GOD&E) – lembra a proposta de um Deus Consumidor em torno do qual tudo gravita.

Como consequência, o reconhecimento de existência irá pressionar cada vez mais as marcas e empresas para que repensem seus modelos de negócios sob a perspectiva do seu crescente poder e volatilidade de comportamento.

Esse conceito surgiu da nossa observação sobre as mudanças no comportamento dos consumidores somado a tudo o que temos visto nas participações em eventos internacionais e o monitoramento contínuo que fazemos no mercado brasileiro.

O que as grandes marcas têm feito para se adaptar a esse tipo de consumidor?

Muitas marcas e empresas já podem ser consideradas benchmarks na conexão com o consumidor GODE.

Podemos citar Whole Foods, Amazon, Alibaba, Primark, Zara, Coca Cola, AB Inbev ou IKEA, como players que saíram na frente e estão se reposicionando para atender essa evolução, integrando e reconfigurando canais on e offline, incorporando experiência, educação, relacionamento e serviços no ponto de venda, manifestando propósitos em suas ações além das alternativas para a venda de produtos. 

Quais os perfis e as principais características relacionadas ao comportamento de consumo de cada um desses tipos?

Ele (ou ela) é atemporal, ou seja, não está limitado a uma faixa etária, apesar de notarmos predominância nos segmentos mais jovens, especialmente Millennials e Geração Z.

E agora na emergente geração Alpha.  É global e local ao mesmo tempo, pois estão alinhados a comportamentos de consumidores de diferentes partes do mundo, graças à internet.

Omni, pois exige que o seu negócio esteja preparado para atendê-lo em qualquer canal e a qualquer momento. Digital e imerso em novas tecnologias (do mobile à realidade virtual).

Empoderado e com forte conexão com sustentabilidade, à medida que valoriza empresas e marcas com propósito e valores que sejam compatíveis com os seus e que tenham impacto positivo na sociedade em que vivem. E que ganham voz e poder, transformando-se em consumidores-cidadãos.

Até que ponto esses consumidores podem impactar diretamente nos costumes tradicionais de consumo?

De forma irreversível. Pois quanto mais avançarmos o acesso à informação e às ferramentas que são disponibilizadas e quanto maior for a parcela dos novíssimos consumidores GODE no total da população, maior o potencial transformador da Sociedade e do Consumo.

Isso obrigando empresas a repensar absolutamente tudo em termos de modelos de negócio, cultura, estratégias, propósitos, práticas e processos para se adequar, e se possível se antecipar, a esse tsunami evolutivo.

Qual setor sente mais a presença dos consumidores GODE, varejo ou indústria e porquê?

Não podemos mais separar varejo ou indústria, visto que cada vez mais assistimos ao processo de desintermediação, ou seja, a indústria indo diretamente ao consumidor final, reduzindo a distância entre quem produz e quem compra e consome.

Ao mesmo tempo em que o varejo avança com as marcas próprias, assumindo papéis e responsabilidades anteriormente exercidas pelas indústrias fornecedoras.

Esse movimento faz com que marcas e fornecedores de produtos e serviços criem canais diretos e exclusivos para conhecerem, entenderem, atenderem e servirem o consumidor final.

Neste aspecto, tanto varejo quando a indústria, são impactados pelos consumidores GODE.

Como a era digital têm dado força a esses grupos de consumidores?

Podemos dizer que a dimensão digital é o desencadeador-mor de todo esse processo. Pois, tudo o que tem sido ofertado e implantado em âmbito digital tem impacto direto neste processo de mudança.

E isto vai muito além das questões que envolvem a participação das vendas via e-commerce no varejo global, pois não se trata apenas do e-commerce, mas de como a transformação digital alterou as formas de nos relacionarmos, de buscarmos informações, de nos comunicarmos, de nos expormos e, principalmente, a forma como consumimos.

Nunca esse poder se concentrou tanto num dos agentes da cadeia de consumo: o consumidor.

Esses grupos tendem a dominar o ambiente de consumo nos próximos anos? Como você os vê daqui meia década?

Em um cenário volátil como o que vivemos, fica cada vez mais complexo e difícil fazer previsões sem considerar alguma flexibilidade ao longo do tempo.

Futurólogos já consideram, por exemplo, que bebês da próxima geração já recebam chips logo após o nascimento e que poderiam ser utilizados para conexões por dados substituindo smartphones. Imagine como isso irá revolucionar a dimensão digital dos consumidores em um futuro não muito distante.

Quais são as suas dicas para as marcas que querem se adequar a essa nova fase de consumo moldada pelos GODE?

A evolução tecnológica e a digitalização que estamos acompanhando, transforma o consumidor-cidadão, o varejo e o mercado de forma irreversível.

Transforma esse tipo de consumidor, pois o empodera, colocando-o à distância de um clique sua condição de comparar e compartilhar sua opinião sobre produtos, marcas, canais e lojas, o que determina um nível de competitividade global sem precedentes.

Assim, na outra ponta, permite aos operadores do setor (sejam varejistas ou indústrias) desenvolver um arsenal de recursos para monitorar e antecipar comportamentos, gerando aumento de eficiência e produtividade, redesenhando o cenário de negócios em todos seus aspectos, da escolha do sortimento, até a estratégia de integração de canais, passando fundamentalmente pela mudança cultural e redefinindo o papel das pessoas.

Objetivamente devemos pensar em outros modelos de organização, flexível, adaptável e dinâmico, com a cultura de permanente aprendizado e inovação, preparadas para atuar nesta economia volátil que é característica da realidade presente e futura.

Por João Pedro Ribeiro do Val / Diretor Comercial

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