Por que redes de supermercados estão investindo em unidades menores

Você se lembra do tempo em que as pessoas tinham o hábito de fazer compras uma única vez por mês? Isso foi bem comum até o início dos anos 1990, antes do Plano Real.

Em datas próximas ao pagamento, as famílias se programavam, faziam uma lista enorme e depois voltavam dos hipermercados com um belo montante de sacolas.

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O foco dessas pessoas eram sempre as redes de supermercados de grande porte. Os mercadinhos de bairro serviam apenas para complementar a despensa, caso algum item acabasse antes do período planejado.

Esse costume nasceu em uma época difícil do nosso país. Havia a hiperinflação, e os produtos mudavam de preço da noite para o dia.

Então, para se esquivar desse problema e aproveitar as melhores oportunidades, muitos consumidores compravam um estoque de alimentos mensal.

Por ter se tornado um hábito de consumo, essa prática continuou, mesmo depois da estabilização do Plano Real. Mas vem sendo alterada nos últimos anos.

Um estudo realizado em 2013 pelo Sebrae já constatava que os varejistas de bairro ou minimercados (que possuem menos de 10 checkouts [caixas registradoras]) obtiveram no último bimestre daquele ano uma taxa de crescimento de 0,9% contra as retrações de 1,8% dos varejistas de porte médio (10 e 19 checkouts) e 2,6% dos grandes varejistas (20 checkouts ou mais). Curioso, não?

Um dos fatores que mais influenciou para que essa inversão acontecesse foi o avanço das grandes cidades.

Com um número de prédios (e de pessoas concentradas em um único ponto) cada vez maior, houve a necessidade de estabelecimentos com áreas de influência mais restritas, ou seja, várias lojas menores e mais próximas do consumidor.

Aliás, que tal entender quais fatores contribuíram para o aumento na demanda de mercados de pequeno porte?

Isso certamente lhe ajudará a identificar se o seu negócio possui as mesmas necessidades dos varejos de bairro e, quem sabe, a partir desses insights você não adote uma mudança de estratégia?

SPOILER: No decorrer do post, você perceberá que o geomarketing é uma ferramenta essencial para varejistas que desejam entender onde e como abrir uma nova unidade, por isso, caso queira se adiantar, baixe nosso eBook gratuito. Basta clicar no banner abaixo.

Estratégia de expansão com Geomarketing

O que impulsionou o crescimento dos mercados de vizinhança?

Alguns fatores sociodemográficos e econômicos foram essenciais para que o market share de mercados de pequeno porte crescesse de uns anos para cá. Esses mesmos fatores também influenciaram na retração das grandes lojas do setor, além de modificar os hábitos de consumo das classes C e D.

Comodidade e praticidade

Uma pesquisa realizada pela Alelo em 2016 constatou que mais de 60% dos brasileiros levam 40 minutos para se deslocar de casa até o trabalho. Em um mês, são quase 13h perdidas no trânsito.

Por isso, estabelecimentos bem localizados conseguem atrair mais clientes. Outro levantamento, feito pela empresa GfK, revelou que a proximidade é o principal motivo de 92% dos consumidores frequentarem pequenos comércios varejistas.

A economia para o consumidor se dá no tempo de deslocamento e de permanência dentro do estabelecimento, já que em um minimercado, muitas vezes, é mais prático encontrar uma determinada mercadoria.

Hábitos de consumo

A Fundação Instituto de Administração realizou um estudo e descobriu que, antes do Plano Real, as pessoas tinham o hábito de ir ao mercado em média uma vez por mês. Após a estabilização monetária, esse número quadriplicou.

Essa mudança fez com que operações menores de varejo fossem suficientes para atender a demanda da população. Ou seja, não havia mais a necessidade de supermercados estocarem uma grande quantidade de produtos.

Com custos operacionais menores, os mercados de pequeno porte conseguiram competir em igualdade com os grandes estabelecimentos.

Maior poder de compra das classes C e D

Nos últimos anos, a “nova classe média”, que representa metade dos brasileiros, ganhou mais poder de compra e de escolha.

Uma pesquisa feita pelo Data Popular mostrou que, entre 2002 e 2012, o crescimento das classes C e D superou as classes A e B. Enquanto o poder de compra das classes mais altas aumentou 57%, o das classes mais baixas atingiu 123%.

Esse crescimento refletiu diretamente nas idas aos supermercados. As classes C e D começaram a adquirir produtos de melhor qualidade, além de se interessarem por mais categorias de produtos.

A importância da área de influência para as redes de supermercados

Com a necessidade de estar cada vez mais próximos de seus clientes, as grandes redes de supermercados têm investido nos formatos mini para competir com os mercados de bairro.

Ou seja, trocaram grandes unidades localizadas em pontos estratégicos das cidades por unidades espalhadas de acordo com a densidade demográfica. E a área de influência tem diminuído propositalmente.

A área de influência estipula quanto os clientes de um estabelecimento estão dispostos a percorrer até chegar no local. Ela ajuda a entender o perfil dessas pessoas.

Para elaborá-la, utilize uma ferramenta de geomarketing que permita a visualização do endereço dos seus clientes no mapa. Depois basta fazer um recorte que capte cerca de 65% dessa população (considerada a área de influência primária, agrupando a maior parte dos seus consumidores).

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Exemplo de loja (ponto verde) com uma área de influência (linha verde) abrangendo clientes (quadrados azuis)

Aliás, utilizar uma estratégia de geomarketing também para estudar o perfil desses clientes é essencial para manter a saúde de um estabelecimento de pequeno porte. Por meio de uma boa ferramenta de inteligência geográfica, você pode identificar:

Renda predominante na região: esse dado é fundamental para ajudar na precificação de produtos e também na localização de público alvo.

Presença de trabalhadores: o objetivo aqui é atrair consumidores durante o horário comercial, utilizando a praticidade da localização, já que muitos deles aproveitam para ir ao mercado no horário de almoço ou na volta para casa.

Densidade demográfica: é uma métrica que calcula quantas pessoas por km² existem no local. É fundamental para descobrir se há ou não demanda para a abertura de uma nova unidade.

Outras informações oferecidas por ferramentas de geomarketing, como identificação de faixa etária e predominância de classe social, aliados aos dados mencionados anteriormente, podem ajudar a entender quem são as pessoas que frequentam o entorno de sua loja.

Identificar esses fatores auxiliam redes de supermercados a criar um mix de produtos personalizado para cada uma das pequenas unidades que pretende expandir em bairros. E falando em expandir...

Por que não só redes de supermercados se beneficiam com geomarketing

Os insights obtidos em uma solução de geomarketing podem beneficiar diversos segmentos do varejo, além dos supermercados. Isso porque os dados levantados para que um comércio de bairro obtenha sucesso são praticamente os mesmos.

Polos geradores de tráfego

São locais que atraem um grande número de pessoas para o seu entorno, como estações de metrô e trem, shoppings, universidades e agências bancárias.

Um comércio varejista geralmente se beneficia do fluxo de pessoas existente em um local certo? Quanto mais próximo do trajeto desses indivíduos durante a ida ou volta para o trabalho, maior é a chance de venda.

Sabendo disso, você pode utilizar um software de geomarketing para identificar todos os polos geradores de tráfego existentes em um recinto.

Estações de metrô e trem, terminais rodoviários, shoppings, agências bancárias, escolas, enfim, estar perto desses estabelecimentos trará muito mais rentabilidade para o seu negócio.

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Visualização de polos geradores de tráfego em um trecho da Av. Paulista

Presença de concorrentes

Como a área de influência de um estabelecimento de pequeno porte é muito restrita, ter muitos concorrentes nas proximidades pode ser um problema.

Por isso, ao escolher um local para expandir, é fundamental que você consiga monitorar os concorrentes nas proximidades.

Para uma escolha assertiva, você pode se beneficiar dos dados fornecidos por softwares de geomarketing, que podem mapear todos os pontos comerciais de diversos segmentos, portes e tamanhos existentes em uma região.

Potencial de consumo

Ferramentas de geomarketing também conseguem estipular qual a probabilidade de consumo em uma região para diversas categorias de produtos, como bebidas não alcoólicas ou alimentação fora de casa.

Esses dados podem dar mais embasamento na escolha de um local, além de auxiliar na elaboração de um planograma eficiente nas unidades.

Afinal, unidades distribuídas em uma mesma cidade podem suprir necessidades bem diferentes. Um município pode abrigar a classe A em uma região e a classe C em outra. Então, se o público que frequenta as unidades não é o mesmo, a categoria e marca dos produtos buscados também não será.

O varejo tende a acompanhar a evolução das cidades

O crescimento acelerado de grandes metrópoles e a evolução das classes sociais que habitam as cidades mais distantes ainda vão impactar muito os comércios varejistas.

A tendência é que personalização, praticidade e comodidade sejam os principais fatores buscados por consumidores. O preço deixa de ser um atrativo primário, a partir do momento em que a viabilidade de acesso se torna ineficiente.

Resumindo: um número alto de prédios concentra também uma grande quantidade de pessoas, e isso consequentemente gera mais trânsito no entorno e menos tempo livre para tarefas como compra. Nesses casos, há mais valorização de localização comercial.

Diante dessa realidade, os comércios varejistas que souberem se beneficiar dos dados apresentados pelo geomarketing certamente terão muito mais sucesso em sua estratégia de expansão

E para entender outras vantagens oferecidas pelo geomarketing, baixe o nosso eBook gratuito. Basta clicar no banner abaixo e realizar o download.

Estratégia de expansão com Geomarketing

Por João Caetano / Gerente de Marketing de Produto

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